sexta-feira, fevereiro 03, 2012

... para animar os desalentados


Uma palavra de Viktor Emil Frankl para animar os desalentados

Quando Paulo e Barnabé, em cerca de 46 depois de Cristo, entraram num sábado na sinagoga de Perge, na costa sul da atual Turquia, os responsáveis lhes disseram: “Se vocês têm alguma palavra para animar o povo, podem falar agora” (At 13.15, NTLH). Paulo não perdeu a oportunidade. Ele discursou de tal modo que as pessoas “pediram com insistência que eles voltassem no sábado seguinte a fim de falarem sobre o mesmo assunto” (At 13.12, NTLH).

A seguir, o leitor vai encontrar palavras, não de Paulo, mas de Viktor Frankl, o famoso psiquiatra austríaco que passou quase três anos em campos de concentração (veja Como é possível sobreviver num campo de concentração?)

Sobre a arte de viver
• Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.
• A vontade de humor -- a tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada -- constitui um truque útil para a arte de viver.
• Com o fim da incerteza chega também a incerteza do fim.
• Quem não consegue mais acreditar no futuro -- seu futuro -- está perdido num campo de concentração.
• O prazer é e deve permanecer efeito colateral ou produto secundário. Ele será anulado e comprometido à medida que se fizer um objetivo em si mesmo.
• O ser humano é um ser finito e sua liberdade é restrita.

Sobre o sentido da vida
• Ouso dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido.
• O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O que ele necessita não é a descarga de tensão a qualquer custo, mas antes o desafio de um sentido em potencial à espera de ser cumprido.
• O sentido de vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, de uma hora para outra. O que importa, por conseguinte, não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento.
• O sentimento de falta de sentido cumpre um papel sempre crescente na etiologia da neurose.
• As pessoas têm o suficiente com o que viver, mas não têm nada por que viver; têm os meios, mas não têm o sentido.
• O niilismo não afirma que não existe nada, mas afirma que tudo é desprovido de sentido.

Sobre a arte de sofrer
• Se é que a vida tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Afinal de contas, o sofrimento faz parte da vida, de alguma forma, do mesmo modo que o destino e a morte. Aflição e morte fazem parte da existência como um todo.
• Precisamos aprender e também ensinar às pessoas em desespero que a rigor nunca e jamais importa o que nós ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós.
• Deus espera que não o decepcionemos e que saibamos sofrer e morrer, não miseravelmente, mas com orgulho!
• Ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça.
• Quanto mais uma pessoa esquecer-se de si mesma -- dedicando-se a servir uma causa ou amar outra pessoa --, mais humana será e mais se realizará.
• Sofrimento, de certo modo, deixa de ser sofrimento no instante em que se encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício.
• O sofrimento desnecessário é masoquismo e não ato heroico.
Sobre o “nem tudo está perdido”
• Se houve um dia na vida em que a liberdade parecia um lindo sonho, virá também o dia em que toda a experiência sofrida no passado parecerá um mero pesadelo.
• O ser humano é capaz de viver e até de morrer por seus ideais e valores.
• O passado ainda pode ser alterado e corrigido.
• Quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós próprios.
• Quando o paciente está sobre o chão firme da fé religiosa, não se pode objetar ao uso do efeito terapêutico de suas convicções espirituais.
• Uma das principais características da existência humana está na capacidade de se elevar acima das condições biológicas, psicológicas e sociológicas, de crescer para além delas.
• As pessoas decentes formam uma minoria. Mais que isso, sempre serão uma minoria. Justamente por isso, o desafio maior é que nos juntemos à minoria. Porque o mundo está numa situação ruim. E tudo vai piorar mais se cada um de nós não fizer o melhor que puder.
(Todas as frases foram retiradas do best-seller “Em Busca de Sentido”, publicado em alemão em 1945.)
[http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/327/uma-palavra-de-viktor-emil-frankl-para-animar-os-desalentados]

O MILAGRE DA PARTILHA *


Quero pensar com os irmãos e irmãs o texto impresso no Evangelho segundo Marcos, cap. 6 e vers. 30-44. O presente texto fala acerca da primeira multiplicação dos pães. Intercalando os milagres, leremos também a passagem do mesmo Evangelho, desta vez, no cap. 8 e vers. 1-9. Percebam, conforme as referidas leituras, que o milagre da partilha ocorreu por duas vezes.
É Interessante atentar para as duas vezes da ocorrência. É como se nosso Galileu estivesse relembrando seus seguidores e seguidoras acerca da prática da partilha. Jesus exclama por duas vezes: “Dai-lhes vós de comer”. Notem que a preocupação do mestre vai além dos ensinamentos, das palavras evangélicas, do discurso religioso.
O Nazareno apresenta pães e peixes, ou seja, apresenta alimento para as multidões, para as famílias necessitadas de pão. Percebam que a preocupação do Nazareno vai além do que é oferecido pelas nossas igrejas que, em sua maioria, não vai além de pregações proselitistas, ou melhor, “venha pra cá, pra salvar sua ALMA do fogo do inferno”.
Jesus se preocupa com a fome e cansaço do povo. Ele mesmo declarou certa vez que seu jugo é suave e seu fardo é leve, diferentemente daquilo que nossas igrejas impõem para seus fieis. O apóstolo Paulo também nos ensina acerca dos fardos ou cargas, ensinando que deveremos levar os fardos uns dos outros, ou seja, ajuda mútua, partilha, amizade e preocupação com o semelhante.
Os pães e peixes aqui, além de alimentar o povo, sobejaram para outras pessoas ainda não saciadas. Sempre ouvi aquela velha ladainha no seio evangélico: “fazer caridade não leva ninguém pro céu, deixa isso pros espíritas e católicos piedosos”. Alguns mais fervorosos citam até versículos isolados e conclamados em seus púlpitos: “É pela fé..., é pela graça..., é pelo sangue... e não por obras terrenas”. Pois é, a preocupação da maioria das nossas igrejas é mesmo com o céu, com o além-terra.
Outro texto que pode ser intercalado com os de Marcos, está na primeira carta aos coríntios, cap. 12 e ver. 28, o qual nos apresenta a partilha, o socorro e  a ajuda como sendo dom de Deus. Isto mesmo, dar de comer a quem tem fome, é dom de Deus, Ele se alegra com esse gesto simples e pouco praticado pelos seus representantes terrenos.
Precisamos ler mais a Bíblia e, acima de tudo, praticá-la no cotidiano da igreja. Sempre costumo ler o texto do Evangelho segundo Mateus, cap. 5 e vers. 6-7, o qual nos ensina sobre a prática da misericórdia e da justiça. O que mais nos chama a atenção é o ver. 10. Aprendemos aqui que só teremos parte no Reinado de Deus se formos amantes da JUSTIÇA, pois sem justiça, não há reino.
Assim, aprendemos com a Palavra de Deus que a partilha além de ser um dom de Deus, constitui-se um milagre na experiência humana do Sagrado. Que possamos ser um povo da partilha, um povo que ame seus semelhantes de verdade e deseje o melhor para eles. Assim seja!
Paz sobre nos!
Pr. Adriano Trajano [Pastor da Igreja Batista em Chã Preta/AL]
[Fonte/Texto original {http://pastoradrianotrajano.blogspot.com/2010/11/o-milagre-da-partilha.html}]

"Ainda que...": a espiritualidade da permanência

O que é permanência? Seria a pura insistência? Seria apenas a postura firme, a radicalidade que não recua? Talvez seja uma mistura de tudo isso, entretanto, prefiro defini-la como "a intimidade das raízes". Permanência é produto da discrição das raízes. Estamos numa sociedade em crise com a permanência. Uma época marcada pela transitoriedade de tudo. É a fuga do outro, enquanto pessoas e situações.

Observando alguns textos bíblicos, notei a insistência abençoadora do permanecer. A expressão "ainda que" permeia a textura de diversas construções teológicas das Escrituras. Analise, com calma, esses caminhos de permanência:

Em I Coríntios 13, Paulo escreve um dos mais espetaculares textos sobre o amor, marcado pela expressão "ainda que". Seu convite à permanência no amor precisa de eco em nossa espiritualidade monetária da atualidade. "Ainda que" todos os êxtases estejam presentes, sem a permanência do amor, tudo é vazio.

O profeta Habacuque, pontua seu poema (3. 17) com faces magistrais do "ainda que". Ele desafia o processo natural da vida: "Ainda que" a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; "ainda que" o produto da oliveira minta os campos não produzam mantimento. "Ainda que" o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado... "Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação". Sua permanência insiste na alegria quando as estações das crises determinam a esterilidade. Habacuque significa "abraço", é a permanência no abraço de Deus que nos ajuda a vencer dias tempestuosos.

O Salmo 23 também tem seu "ainda que". É a presença que desafia o vale. No vale da suspeita, "a sombra da morte" não tem a última palavra, pois apesar do "ainda que", a presença do Mestre garante descanso. É o pastor que não desiste da ovelha frágil. É o pastor que não comercializa suas ovelhas, mas que as protege do mal (João 17. 15).

Também tenho minha lista de "ainda que":

Ainda que Deus não responda, permaneço orando, pois falar com o Pai já é milagre da graça;
Ainda que as pessoas mudem, permaneço amando, pois o amor do Pai, em mim, liberta-me para amar sem esperar retorno (João 13. 34: "Como eu vos amei...")

Ainda que sonhos não se realizem, permaneço sonhando, pois a vida sem o ingrediente estimulante da utopia seria insuportável.

Ainda que as flores deixem de nascer, continuarei percebendo as cores da existência e o perfume do amanhã.

Ainda que ninguém leia o que escrevo, permaneço rabiscando páginas que a história guarda.

Ainda que... A fantástica espiritualidade da permanência!


Até mais... (Texto original de Alan Brizotti)
[Fonte/Texto original: {http://alanbrizotti.blogspot.com/2010/06/ainda-que-espiritualidade-da.html}]

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Liderar é unir

Um dos grandes desafios da liderança é a unidade. Manter um grupo de jovens unidos no propósito da evangelização, manter a igreja unida no esforço missionário - são desafios assim que o evangelista, como líder, sempre enfrenta. Quando pensamos em liderança, logo nos lembramos do salmo 133, texto áureo da unidade. Nesse salmo, aprendemos muito sobre como manter unidas as pessoas que lideramos. O salmo, atribuído a Davi e classificado como ‘cântico dos degraus’, mostra logo uma ótima idéia quando o assunto é unidade. O líder ministra sobre o assunto de forma simples, elementar, usando uma canção, que as pessoas cantavam enquanto caminhavam juntas em suas peregrinações a Jerusalém, para manter princípios básicos da unidade sempre em sua mente.
O texto não exorta à unidade, nem ordena ou convida, nem mesmo procura convencer as pessoas a se unirem. O texto apresenta as vantagens da unidade, divulga que é bom e agradável, oferece algo que elas querem. Muito sábio, porque quando a união é algo obrigatório, sofrível, sacrificial, parece nunca acontecer.
A divulgação das vantagens também não fica vazia. O líder torna essas vantagens bem tangíveis, usando duas ilustrações que as pessoas podiam entender. Para a vantagem espiritual, ele usa a ilustração da unção sacerdotal, que significava a escolha e o favor de Deus; para a vantagem material, ele usa a ilustração do orvalho no monte Hermom que, com seu cume coberto de neve, era uma bênção para a agricultura durante as secas de verão.
O breve e eficaz ensino é concluído perfeitamente na última frase onde o líder assegura que, vivendo em unidade, as pessoas receberiam de Deus a bênção espiritual e a vida material, deixando à sua escolha o andarem unidas ou não. Que poderosa mensagem essa, que atravessou três milênios e ainda é nosso principal texto sobre unidade! Que precioso recurso para nosso aprendizado e prática como líderes.
[Fonte/Texto original>>>{http://www.guiame.com.br/ntc/liderar-e-unir.html}]

quinta-feira, janeiro 26, 2012

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE OU MISSÃO INTEGRAL: UMA BREVE COMPARAÇÃO

As duas correntes teológicas não têm nada a ver uma com a outra. A primeira “pegou” e a outra nem se quer chegou a sair do berçário.

Interessante pontuar algumas diferenças entre essas duas correntes. A teologia da prosperidade é notória no meio neopentecostal. O discurso vitorioso, a confissão positiva, a bênção mediante barganhas, a fé para ser vitorioso na vida financeira e física etc., não vale muito a pena alongar esta lista. Como não sou sociólogo da religião, mas curioso, arrisco-me em apontar, ainda que dentro de um olhar leigo sobre o tema, algumas pistas do porquê teologia da prosperidade e não missão integral.

Pesquisadores do tema, teologia da prosperidade, vão colocar seu surgimento nos Estados Unidos, e seu principal expoente, Kenneth Hagin entre outros. De lá saíram várias aberrações teológicas como Benny Hinn e diversos modismos apareceram com clara intenção de exportação. Como toda teologia é fruto de uma cultura, a teologia da prosperidade não poderia ser diferente. A potência responsável pela estabilização econômica do mundo, e por meio das armas e ideologia pressionar nações, há muito tempo se comporta como a “polícia do mundo” e conseguiu por meio de sua moeda e filmes impregnar o Ocidente com a sua cultura e modo operacional econômico. Pragmáticos, donos da verdade absoluta, fundamentalistas em quase todos os assuntos, os Estados Unidos passa uma imagem de opulência financeira e defensores do capitalismo selvagem neoliberal. Não é por acaso que a crise econômica mundial teve sua origem lá. Diante desse quadro, só poderia mesmo vir de lá a teologia da prosperidade.

No Brasil a febre pega lá pelos anos 70. Com a igreja brasileira sofrendo profundas mudanças, os líderes pentecostais importam o produto; assimila a sociedade de consumo; adéqua a mensagem ao mercado empresarial e formula um discurso triunfalista, repleto de prescrições como andar no sal grosso, passar pela “porta”, a campanha dos 318 pastores etc. Seus partidários são: R. R. Soares, Edir Macedo, Valnice Milhomens entre outros.

Os evangélicos dão ao mundo uma postura diante das mudanças que estavam acontecendo: o Congresso Mundial de Evangelização em Lausanne, 1974, que deu origem ao Pacto de Lausanne, cujo relator foi John Stott, eminente teólogo inglês. Combustível para o que seria a missão integral no continente latino-americano, teólogos como Orlando Costas, Samuel Escobar e René Padilla, formularam uma teologia holística para as necessidades do continente. É claro que missão integral sofreu diversas acusações quando equiparada com a teologia da libertação – ela seria uma adaptação evangélica da teologia da libertação e que por isso não teve impulso o suficiente para sair do berço. De fato ela não teve bases para se desenrolar, ou seja, ela não teve povo para digeri-la. Missão integral ficou nos livros, que por sinal são bons do ponto de vista metodológico e teológico, nos congressos, nas revistas. Com a teologia da libertação, da qual sou um partidário convicto, foi diferente, esta teve povo, as chamadas Comunidades Eclesiais de Base. Com as reuniões do CELAM em Medellín e Puebla, ela ganhou força mesmo sendo bombardeada pela Santa Sé e sua Congregação para a Doutrina da Fé. Com um discurso teológico impregnado pela práxis libertadora, a teologia da libertação ganhou proporções mundiais. As semelhanças com a missão integral são claras: o que fazer diante do avanço do capitalismo neoliberal desumano? René Padilla, já em Lausanne, fez duras críticas ao imperialismo norte-americano, propondo, entre outras coisas, a rejeição do cristianismo com o famoso slogan norte-americano: “american way of life” (maneira americana de vida).

Missão integral: Reino de Deus e seus valores holísticos; uma comunidade que alimente o espírito coletivo de mudanças concretas; uma mensagem que seja “o evangelho todo, para o homem todo”; uma evangelização que tenha na sua agenda não apenas assistencialismo social, mas postura profética e comprometida em mudar realidades.

Teologia da prosperidade: sofrimento é coisa do diabo; a fé serve para conquistar bênçãos; todo o crente deve reivindicar prosperidade, a ausência dela significa falta de fé; a enfermidade é sinal de pecado; o mundo e tudo que nele há esta aí para ser conquistado.

Não dá nem para comparar.
[Fonte/Texto original>>>{http://wwwibmi.blogspot.com/2009/07/teologia-da-prosperidade-ou-missao.html}]

terça-feira, janeiro 24, 2012

Deus se revela em nosso sofrimento

“Gostaria de discutir contigo sobre a tua justiça” (v.1). Essa frase pulou aos meus olhos ao ler o capítulo 12 do livro de Jeremias. O profeta estava em crise. Estava angustiado pelo que acontecia ao seu povo, não compreendia por que os “injustos” prosperavam. O servo de Deus estava sofrendo e não entendia o motivo. Então buscando entender o seu sofrer ele decide “discutir com Deus”. Jeremias expõe suas dúvidas a Deus, sabendo que Deus é justo e que Ele está sempre certo (v.1). O profeta sabia que apesar de todas as coisas Deus é, e sempre será Deus. Nisso ele podia descansar. Por isso Jeremias se dirige a Deus.

O profeta então, em seu diálogo/lamento com Deus expressa suas dúvidas e incertezas. Será que Deus não vê os ímpios fazem? Será que Deus é insensível ao que acontece aos seus? Onde está a vingança do Senhor? Em síntese, acho que o profeta queria perguntar o seguinte: Como o Senhor se revela em meio ao nosso sofrimento? Jeremias viveu já naquele tempo, aflições e dúvidas que hoje também experimentamos. Assim como o profeta, hoje vivemos na pele o sofrimento, sentindo as dores, a injustiças, o luto… Lamentamos e nos angustiamos com o que acontece a nós e ao nosso próximo.

Certamente essas dúvidas explodem em nossas mentes e corações recorrentemente. Como Jeremias, muito de nós está sofrendo. Provavelmente estou falando para pessoas que estão sendo assoladas por doenças (às vezes ditas incuráveis). Enfrentando problemas dentro de suas casas. Pais que não falam mais com seus filhos, casais que não se entendem mais. Pode haver também perto de nós, problemas com violência doméstica, drogas, desemprego, depressão… Neste momento, você e eu podemos igual ao profeta Jeremias, perguntar a Deus o que vemos expresso no capítulo 12.1-4. Será que Deus não vê os ímpios fazem? Será que Deus é insensível ao que acontece aos seus? Onde está a vingança do Senhor?

O que veremos agora, é que para cada uma das dúvidas de Jeremias (que também são as nossas), Deus se revela de uma maneira ímpar e especial.


NOSSO DEUS É O DEUS PRESENTE (v.5-6)
Ao final da exposição de Jeremias ele menciona o que os injustos falam de Deus: “Deus não vê o que estamos fazendo (NTLH)” (v.4). Jeremias se queixa abertamente com Deus por causa da prosperidade e sucesso dos ímpios. Sua terra, a terra que Deus lhes dera, estava tomada pelos babilônios, que aprisionava seu povo, exilava os melhores para sua terra, pegavam as terras de suas propriedades, as colheitas, ou seja, estavam como disse Jeremias “criando raízes, crescendo e dando frutos. Esses que assolavam sua terra, como vimos no versículo 4, achavam que Deus não os via. Jeremias com essas afirmativas ele lança esse questionamento: será que Deus não vê os ímpios fazem? Ou poderíamos falar que se Deus não vê é porque Ele mesmo está distante do que acontece a nos. Porém, Deus traz se revela ao profeta mostrando que Ele, não somente sabe de todas as coisas e que está presente, no hoje, mais sabe do dia que virá. Deus se revela nesse instante um Deus presente. Independente de nossas dores ou de quão sombrio é nosso momento, Deus está conosco. Como podemos saber disso?

Primeiro Deus fala do tempo presente com Jeremias: “se ficas cansado correndo contra os homens, quando chegar à hora de correr contra cavalos (…) e quando vierem as enchentes do Jordão?” (v.5). Deus mostrou ao profeta que sabia perfeitamente de sua situação e o advertiu para que ele se preparasse para o tempo futuro, que ainda seria mais duro e angustiante do que Jeremias estava enfrentando. Antes mesmo no capítulo 7.11 vemos o Senhor falando assim: “Eu mesmo estou vendo isso”. Deus está conosco em todos os momentos em qualquer hora. Ele é um Deus presente. Aquele que se coloca ao nosso lado nos dias de angústia.

Não é somente no livro de Jeremias que vemos a Deus se revelando o Deus que está presente em nossas angústias e dificuldades. Em Daniel, Deus se faz presente tanto na cova junto a Daniel (Daniel 6), como também aos três jovens Ananias, Misael e Azaria, Deus se faz presente, caminhando com Eles em meio ao fogo (Daniel 3.19-30). Poderíamos destacar diversas passagens onde Deus se revela presente. O Salmista Davi expressa esse certeza da presença de Deus em todos nossos dias de maneira lindíssima: “ainda que eu ande por um vale escuro como a e morte, não temerei (…), pois Tu, ó Senhor Deus, estás comigo” (Salmos 23.4) O que é mais lindo nesse Salmo, é a confiança de que independente do sofrimento e de quão incerto possa parecer o caminho, podemos descansar, pois quem nos conduz por esse vale (escuro como a morte) É o Senhor Deus. Se temos a presença real de Deus conosco, podemos descansar.

Nesse instante vou me apropriar do poema do Sérgio Lopes quando ele diz: “tente lembrar se alguma vez Jesus te abandonou? Tente lembrar quantas vezes Ele já te levantou?” Acho que essa pergunta é um desafio pra qualquer pessoa, pois não existe um só minuto de nossa existência que Deus não esteja presente, e de igual forma, nossa existência seria inviável se por um só instante Ele não nos sustivesse. Logo, se faz necessário entendermos que Deus está presente em nossas vidas nos momentos de alegria, de regozijo e conquistas, e também Ele está igualmente perto de nós em momentos de dores e angústias. Temos que tão somente descansar e entregar nossas vidas ao senhorio de Deus em nós.

Mas Deus só está presente? Outra dúvida aparece implícita no texto de Jeremias. Será que Ele é insensível ao meu sofrer?

NOSSO DEUS SOFRE COM A GENTE (v 7.8)
     Jeremias novamente abre seu coração para Deus. O profeta diz que a terra está de luto, a relva secou, os animais perecem… Até quando? (v 3.4) Isso é uma ousadia por parte do profeta. O que ele está expressando é quase: Senhor! Estão todos sofrendo. Eu estou sofrendo. Já se faz presente em nossa terra a fome e a morte. Quando Tu verás estas coisas e se sensibilizará?

Assim como no cenário de sofrimento descrito pelo profeta, temos visto e vivido quadro semelhante em nossos dias. Em toda história de nosso país, talvez seja esse o momento em que estejamos experimentando maior estabilidade econômica. Somos um dos, senão, o maior produtor de alimentos do mundo e o que vemos não é um povo alimentado. Vemos sim, a grande parte da população morrendo de inanição. Vemos diversas injustiças em todas as partes, muitas vezes do lado de nossas casas. Frente a esse cenário, pode passar por nossas cabeças o mesmo questionamento de Jeremias: Quando Tu verás estas coisas e se sensibilizará?

E o que vemos em Jeremias, é um Deus que além de ser presente, Ele senti o nosso sofrimento. O nosso Deus sofre com a gente. Essa certamente, a meu ver, é a forma mais humana da revelação de Deus para nós. Nosso Deus é um Deus que se sensibiliza, um Deus com sentimentos, um Deus que sofre por nós e conosco. Nosso Senhor é um Deus diferente. Ele é um Deus “humano”.

Vemos isso quando o Senhor diz para Jeremias: “Eu abandonei minha família (…) entreguei aquela a quem amo na mão dos meus inimigos (NVI)”. Também em “meu povo é um pássaro atacado de todos os lados por gaviões (NTLH)”. Nosso Senhor fez questão de se revelar como um Deus que não somente está presente, mas sofre com a dor de “sua amada”. Ele mesmo deixa claro para Jeremias que não alegrava em nada o Seu coração ver o sofrimento que o seu povo estava passando. Assim como o profeta Jeremias ao ver seus compatriotas e irmãos sofrendo, Deus também sofria.

Confesso que já tive o mesmo sentimento de Jeremias. Algumas vezes (não poucas confesso) achei que Deus não se sensibiliza com meu (nosso) sofrimento. Quando vemos um dos nossos chorando de dor ou angústia e o sofrimento e a dúvida invadem nosso ser, passa por nossa mente o sentimento de que Deus se coloca como sendo indiferente e insensível a nós. Mas isso não é verdade. Deus não é e nem esta indiferente à nossa situação. Como já mencionamos antes, Deus sofre com a gente e pela gente.

Desde a libertação do povo hebreu do Egito quando Deus se revela assim: “tenho visto a opressão (…) escutado o clamor (…) sei que estão sofrendo (…). Por isso desci para livrá-los”, em Êxodo 3.7-8, ou em João 3.16, quando Deus revela Seu amor por nós, enviando Seu Filho, (Deus entre nós) afim de que não perecêssemos. Nisto vemos um Deus que sabe, vê, escuta e participa de nosso sofrimento.

Deus agora faz muito mais além do que poderíamos pensar. Ele se revela retirando de nós o peso da vingança. Ele se mostra misericordioso.

NOSSO DEUS ALCANÇA A TODOS COM MISERICÓRDIA (v. 15)
            É bem clara a fala clamando por vingança que Jeremias expressa: “arranca os ímpios como ovelhas destinadas ao matadouro! Reserva-os para o dia da matança!” (v 3). Jeremias queria ver, e estar presente se possível, no dia em que o Senhor exerceria seu juízo e vingança sobre os ímpios. Jeremias revelou um sentimento comum a todos os humanos. Nós queremos uma justiça baseado em mérito, ou seja, receber aquilo que merecemos. Se alguém fizer algo contra nós, só nos satisfazemos ao vê-lo pagando (ou sofrendo) com juros. Porém não é assim que Deus se revela.

Deus fala com Jeremias de Sua obra no meio do Seu povo. O Senhor iria restaurar todo povo de Israel e Judá, trazendo-os de volta para terra de Sua promessa. Aleluia! Agora é então o momento de ver os ímpios pagarem com suas vidas. Chegou enfim a hora da matança! Não. Deus não age desta forma. Deus se revela como um Deus misericordioso. Vemos isso em: “terei compaixão de novo e os farei voltar, cada um à sua propriedade (…) e se aprenderem a se comportarem como o meu povo (…) serão estabelecidos no meio do meu povo”. (v 15.16). Esse cenário é completamente diferente do que desejava Jeremias. Deus revela Seu plano de salvação para todos. Deus nos concede Sua misericórdia.

Assim como Jeremias muitas vezes nos vemos desejando a vingança contra alguém. Queremos ver os ímpios e injustos pagarem com suas próprias vidas pelo que eles fizeram. Achamos que nosso padrão de justiça é muito elevado, quase acima do bem e do mal, e que podemos nos considerar em condições e clamar por vingança. Porém esquecemos-nos da nossa condição de pecado e como já estivemos longe de Deus. O apóstolo Paulo percebe essa nossa terrível condição quando expressa em Romanos 2.1 “portanto, você, que julga os outros, é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você que julga, pratica as mesmas coisa” e completa, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). Paulo nos mostra que pela não é sequer um justo.

Porém o Senhor tem padrões bem mais altos que os nossos. Seu padrão de justiça é incompreensível as nossas limitadas mentes. O Senhor Deus, nos concede sua misericórdia e graça, e através de seu amor infinito, não nos dá aquilo que merecemos (que é a morte) isso é graça. E concede a nós todos (aquilo que não merecemos) redenção e salvação (perdão de nossos pecado e vida verdadeira) isso é misericórdia. Nosso Deus alcança a todos com misericórdia, indistintamente.

Não tentamos em nenhum momento explicar o motivo de nosso sofrimento ou coisa parecida. O que abordamos é que em meio ao nosso sofrimento e dúvida, podemos ter a certeza de que Deus se faz presente, caminhando conosco. Podemos saber que Deus sofre com a gente e por nós e que Ele mesmo, o Senhor de nossas vidas, nos restaurará e nos alcança a cada manhã com sua graça e misericórdia. E como diz o salmista “de nossos olhos enxugará todas as lágrimas”.

Como falamos no início, você hoje pode estar sofrendo com momentos de intensa dor e angústia. Pode hoje estar com dúvidas e como Jeremias querendo discutir com o Senhor. Porém hoje você pode sair daqui com uma certeza em seu coração: Nosso Deus se faz presente em seu sofrer.

Igreja em ação

Tempo de ser igreja é uma campanha da Editora Ultimato com o objetivo de valorizar o que a igreja cristã fez e tem feito na sociedade. Queremos reunir relatos positivos da caminhada da igreja, ontem e hoje. Para isso, criamos uma nova seção em nosso site: Igreja em ação.
O primeiro relato está em evidência por causa da operação do Governo de São Paulo na chamada “cracolândia”. É o trabalho da Igreja Batista com a Missão Cristolândia. Leia abaixo: Uma iniciativa de igrejas batistas está ajudando dependentes químicos das chamadas “cracolândias” (redutos de viciados em crack) a libertarem-se da droga. A Missão Batista Cristolândia começou em São Paulo, SP, e já chegou ao Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A metodologia da missão inclui abordagem direta e atendimento em casas de acolhimento, as chamadas “cristolândias”. O trabalho começa com voluntários — muitos deles ex-dependentes — que visitam a cracolândia e oferecem alimentação e abrigo aos dependentes, além de orientação espiritual. Estes são acolhidos e têm suas necessidades básicas supridas. Aos dependentes que aceitam tratamento, o projeto oferece também possibilidade de estudo em centros de formação cristã e apoio em comunidades terapêuticas. Atualmente há cinco destas comunidades: duas masculinas (em Minas Gerais) e três femininas (no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goiás). O projeto começou oficialmente em março de 2010, com a liderança do casal de missionários Humberto e Soraya Machado. De outubro de 2010 a setembro de 2011, as cristolândias atenderam mais de 34 mil pessoas. Destas, quase 2 mil foram encaminhadas a comunidades terapêuticas e cerca de 600 decidiram estudar em centros de formação cristã.
A inserção de ex-dependentes em igrejas locais é um dos pontos fortes do projeto. Só na Primeira Igreja Batista de São Paulo 171 pessoas foram batizadas e sessenta se reconciliaram com Cristo.
Visibilidade
Desde que o Governo de São Paulo iniciou uma operação para acabar com a cracolândia, o projeto Cristolândia ganhou destaque. A sociedade descobriu que há uma igreja batista localizada dentro da cracolândia (Alameda Barão de Piracicaba, 509) e esta igreja se transformou em local de refúgio para os dependentes químicos. O pastor Humberto explica: “Fazíamos uma média de 40 por mês. Já chegamos ao dobro disso em dez dias e vamos abrir novas 200 vagas”.
O jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem e série de fotos sobre a Cristolândia. O jornal O Estado de São Paulo e o Bom Dia SP (Rede Globo) já haviam mostrado no ano passado o trabalho dos batistas.
Na terça-feira (dia 10), a Cristolândia passou por um teste de credibilidade, quando uma ronda da PM tentou retirar da calçada vários usuários de drogas. “Aqui é solo sagrado”, alertou o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral de Rua e que visita frequentemente a missão batista. A PM recuou.
Os gastos da Cristolândia são de aproximadamente R$ 70 mil por mês. O custo é bancado por ofertas de igrejas Batistas de todo o país. São oferecidas refeições, além de local para banho e roupas limpas.
Dados do IBGE de 2010 indicam que pode haver mais de 1 milhão de usuários de crack no Brasil.
[Fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/igreja-em-acao]

sábado, janeiro 21, 2012

Destaque: Pr. Russell Shedd na 92a Assembleia da Convenção Batista Brasileira


Pr. Russell Shedd continua sua série de estudos fazendo um link sobre integridade e arrpendimento:

- Integridade é também ter boa consciência. O Salmo 51 é um símbolo de arrependimento e, integridade sem arrependimento é quase inexistente, pois arrependimento significa transformação de mente.



Russell P. Shedd é PhD em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Fundou a Edições Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. É missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e trabalha em terras brasileiras há vários décadas. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e viaja pelo Brasil e exterior participando de conferências em congressos, igrejas, seminários e faculdades de Teologia. É autor de vários livros, entre os quais estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia , Disciplina na Igreja , A Escatologia do Novo Testamento , A Solidariedade da Raça , Justificação , A Oração e o Preparo de líderes cristãos , Fundamentos Bíblicos da Evangelização , Teologia do Desperdício , Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus , todos publicados pelas Edições Vida Nova ou pela Shedd Publicações. Além disso, é autor dos comentários da Bíblia Shedd (Vida Nova).
O Pr. Marcio Lacerda também está presente nesse evento representando a Ig Batista Central DC